31 outubro 2006

Um pouco de Clarice

TALVEZ ASSIM SEJA

"Por outro lado, estou hoje um pouco cansada e é sobre o prazer do cansaço dolorido que vou falar. Todo prazer intenso toca no limiar da dor. Isso é bom. O sono, quando vem, é como um leve desmaio, um desmaio de amor.
Morrer deve ser assim: por algum motivo estar-se tão cansado que só o sono da morte compensa. Morrer às vezes parece um egoísmo. Mas quem morre às vezes precisa muito.
Será que morrer é o último prazer terreno?"

Clarice Lispector in "A Descoberta do Mundo" Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1999

28 outubro 2006

Sem momentos coloridos

Ninguém consegue estar feliz o tempo todo. Tentamos ser simpáticos, agradáveis, e às vezes é tão difícil.
Tem dias em que sonhamos coisas que parecem tão reais. Por vezes nossos desejos mais íntimos se prefiguram em nossos sonhos. 
Muitas vezes temos que optar por abandonar o que mais queremos para poder continuar. Somente quem já fez isso pode saber como é. 
Muitas vezes amamos bem mais do que podemos suportar. Nestes casos também amamos mais do que o outro pode compreender. 
Passamos muito tempo tentando sentir, tentando não sentir, mas estas coisas, ainda creio, não dependem muito do nosso querer. 
O que vale a pena na vida são as caminhadas na beira da praia, as noites dormidas em barracas, as pitangas colhidas fresquinhas, as picadas de marimbondo, as musicas e lugares que nos marcam. 

 "Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida..."