06 março 2007

"Quando eu lhe dizia: - me apaixono todo dia, e é sempre a pessoa errada.
Você sorriu e disse: - eu gosto de você também.
Só que você foi embora
Cedo demais."

Ainda dói essa ausência, ainda não consigo aceitar... me pego pensando que de repente você vai chegar, malemolente, a barba por fazer, e vai me chamar de coisinha... minha coisinha... e haverá o passeio de mãos dadas de volta pra casa, e o beijo no portão. E o tempo todo, a todo momento, detalhes me fazem lembrar você.
E a lembrança das coisas que não aconteceram, coisas que nunca acontecerão... talvez estas doam ainda mais. ...você tocando e cantando para nós duas... sonhei tanto com isso... e agora nem existimos.
Tenho tanto medo, por mim, por ela...
Ninguém consegue entender.
Que merda, vocês não sabem como é!

21 fevereiro 2007

Assim está meu coração...

Infância

"E volta sempre a infância
com suas íntimas, fundas amarguras.
Oh! por que não esquecer as amarguras
e somente lembrar o que foi suave
ao nosso coração de seis anos?

A infância melancólica
ficou naqueles longos dias iguais,
a olhar o quintal horas inteiras,
a ouvir o gemido dos bambus verde-negros
em luta sempre contra as ventanias!

A infância inquieta
ficou no medo da noite
quando a luz vacilava mortiça
e ao derredor tudo crescia escuro, escuro...

A menininha ríspida
nunca disse a ninguém que tinha medo,
porém Deus sabe como seu coração batia no escuro,
Deus sabe como seu coração ficou para sempre diante da vida
- batendo, batendo assombrado!"

Henriqueta Lisboa
Publicado: Prisioneiro da Noite (1941)