Ainda lembro quando recebi aquela carta toda desenhada a giz, e chorei por não saber o que fazer. Ele estava ali, completamente desarmado, entregue, e eu ainda não sabia o que fazer. Calei. Não respondi. Li e reli dezenas, talvez uma centena de vezes, como todas, como sempre e demorei uns dez anos pra saber o que dizer.
Hoje você tem os pés no chão e meu coração nas mãos. Sei que o telefone não vai tocar de madrugada, nem nos finais de semana. Sei que nestes dias não haverão cartas, com ou sem giz de cera e nem adianta correr pra casa, direto na caixa de correio. Hoje a saudade parece ser só minha e você, rindo, diz que depois de velha estou ficando mole.
De alguma forma tento me acostumar com teu silêncio, e essa distância.
Tenho em mim o teu sorriso, teu olhar que me acompanha e esse amor, antes louco, hoje sereno, sempre, sempre constante...
Te amo
"Dizem q sou louco por pensar assim..." ...e é assim q este blogg começa, como q refletido num prisma irregular, de uma vaga existência em "dias assim, dias de chuva, dias de sol... e o q sinto não sei dizer. É tão estranho..."
20 agosto 2009
11 agosto 2009
Mais uma...
Talvez fosse só um sonho de menina. Talvez agora, 13 anos depois, desejar viver tudo aquilo fosse ilusão. Quem sabe com o fim do inverno essas vontades também passassem, mas da janela insistia em entrar um vento cada vez mais frio.
Não teve coragem de sair da cama e sentar em frente do monitor. Pegou caderno e lápis na cabeceira e começou a traçar linhas tortas e desconexas, tentando achar nexo para toda essa falta de lógica. Mais um dia terminou e nenhum sinal.
Talvez não fosse a última, mas com certeza não era a primeira vez que sentia-se assim, um nó na garganta, uma angustia no peito. Talvez fosse hora de as personagens mudarem a história, talvez fosse hora de mudar as personagens.
Já passava das duas da madrugada, tinha o coração surrado demais. Logo o despertador tocaria e lhe chamaria de volta a vida real. Seria obrigada a trocar seus sonhos por um sorriso ensaiado e um jaleco encardido, engolir seco e repetir "Bom dia"...
Não teve coragem de sair da cama e sentar em frente do monitor. Pegou caderno e lápis na cabeceira e começou a traçar linhas tortas e desconexas, tentando achar nexo para toda essa falta de lógica. Mais um dia terminou e nenhum sinal.
Talvez não fosse a última, mas com certeza não era a primeira vez que sentia-se assim, um nó na garganta, uma angustia no peito. Talvez fosse hora de as personagens mudarem a história, talvez fosse hora de mudar as personagens.
Já passava das duas da madrugada, tinha o coração surrado demais. Logo o despertador tocaria e lhe chamaria de volta a vida real. Seria obrigada a trocar seus sonhos por um sorriso ensaiado e um jaleco encardido, engolir seco e repetir "Bom dia"...
08 agosto 2009
Beijinho, aquele doce de coco
Ele perguntou quem era a menina de azul. Era o primeiro aniversário de um primo em comum, o mais novo membro da família. Há muito não se viam, ou pelo menos, ele nunca havia reparado nela. Talvez porque no encontro anterior, no final da copa do mundo, estivessem todos atentos aos penaltis contra a Itália, ou então ela fosse muito criança para lhe chamar a atenção.
Ela tinha agora 11 anos, mas já não possuia a feição infantil que muitas vezes as meninas dessa idade tem. Ela era uma mocinha. Num dado momento ele ofereceu-lhe um beijinho, ela sentiu um rubor na face, mas ele se referia aquele docinho feito com coco, comum nas festas infantis.
Agora já era noite, a maioria dos convidados foram embora, eles dormiriam ali para pegar estrada no dia seguinte. Jogaram baralho, brincaram, contaram piadas noite a dentro. Ela tinha os pés frios e ele tentava esquenta-los. Ela se encantara por ele. Tentava ficar perto, chamar a atenção, já estava cheia de ciúmes e não podia desgrudar seus olhos daquele sorriso, seguindo-o a todo lugar.
Trocaram endereços, telefones, e combinaram de se ver nas férias.
Aquela foi a primeira de muitas despedias, com sabor de beijinho, aquele doce de coco...
Agora já era noite, a maioria dos convidados foram embora, eles dormiriam ali para pegar estrada no dia seguinte. Jogaram baralho, brincaram, contaram piadas noite a dentro. Ela tinha os pés frios e ele tentava esquenta-los. Ela se encantara por ele. Tentava ficar perto, chamar a atenção, já estava cheia de ciúmes e não podia desgrudar seus olhos daquele sorriso, seguindo-o a todo lugar.
Trocaram endereços, telefones, e combinaram de se ver nas férias.
Aquela foi a primeira de muitas despedias, com sabor de beijinho, aquele doce de coco...
07 agosto 2009
"Luz e sentido e palavra E palavra é! O que o coração não pensa..."
Estou aqui outra vez, no mesmo barco, tentando traduzir em palavras o que o coração quer gritar.
Tem um dia em que a gente acorda e tem certeza de tudo. Sabemos onde queremos estar e com quem. Encontramos todas as respostas. E agora, o que fazer?
Que bom que ainda não acordei neste dia. Que bom que ainda sou uma pessoa cheia de dúvidas e cheia de sonhos a buscar.
Mas dia desses acordei com a estranha sensação, a deliciosa e assustadora certeza de que sei o que quero da vida. Quando olhei para o lado e te vi ali dormindo, desejei estar ali para sempre, desejei acordar sempre assim, com você ao lado. Não lembro de ter me sentido assim antes, de ter essa certeza antes, e de repente tive medo, medo por não saber como será depois disso. Então, por não saber o que fazer, fiquei ali deitada, enroscada no teu corpo, querendo apenas estar ali.
Agora estou aqui, a 400km, acordando no meio da noite com os pés ainda frios, em uma cama pequena onde sobra muito espaço...
Tem um dia em que a gente acorda e tem certeza de tudo. Sabemos onde queremos estar e com quem. Encontramos todas as respostas. E agora, o que fazer?
Que bom que ainda não acordei neste dia. Que bom que ainda sou uma pessoa cheia de dúvidas e cheia de sonhos a buscar.
Mas dia desses acordei com a estranha sensação, a deliciosa e assustadora certeza de que sei o que quero da vida. Quando olhei para o lado e te vi ali dormindo, desejei estar ali para sempre, desejei acordar sempre assim, com você ao lado. Não lembro de ter me sentido assim antes, de ter essa certeza antes, e de repente tive medo, medo por não saber como será depois disso. Então, por não saber o que fazer, fiquei ali deitada, enroscada no teu corpo, querendo apenas estar ali.
Agora estou aqui, a 400km, acordando no meio da noite com os pés ainda frios, em uma cama pequena onde sobra muito espaço...
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