18 março 2014

O não amor



Sabe, sempre acreditei que o amor aconteceria facilmente e que tudo transcorreria de forma perfeita, milimetricamente, como se fosse ensaiado. E por isso esperei, meses, anos, décadas. Mas nunca aconteceu. A perfeição sempre passou bem longe daqui.

Surgiram sim vários caras, vários casos, alguns comuns, outros inusitados, cada qual com sua característica própria, mas nunca o tão esperado amor.

Uma vez desconfiei que pudesse ser ‘o amor’, o cara bonito, apaixonado, responsável e etc. Mas a paixão o fez doente de ciúmes, o excesso de responsabilidade o fez dedicar-se mais ao trabalho que a qualquer outra coisa, e meu tempo livre enquanto ele só trabalhava me fez conhecer outros mundos. Depois disso não teve volta, só restou o nó na garganta por uma coisa inacabada, que ainda incomoda cada vez que os olhares se cruzam nos corredores.

Houveram as paixões, as fugas, os passatempos, mas nunca algo sólido, concreto, que mesmo de longe se parecesse com o tão sonhado amor.

Por vezes penso que tenho uma incapacidade nata para o amor, um dom latente para o erro, para o fugaz.

Mas ainda assim vivo a eterna ânsia de encontrá-lo e vivê-lo plenamente, como se ao dobrar a esquina fosse esbarrar naquele que fora predestinado a mim.

Ao fechar os olhos não posso ver seu rosto, não sei sua idade, altura ou tipo físico, não sei seu credo, cor ou raça, mas posso vê-lo sorrir, um riso fácil, que me faz sorrir tb.

Não sei se alguém no mundo ainda é capaz de sentir, de se permitir o amor, simples, leve, pleno e louco, como Vinícius versava e como ainda espero.

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